Mostrando postagens com marcador dica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dica. Mostrar todas as postagens

10 de mai. de 2011

Uma decisão acertada


O diálogo com a vendedora de ingressos no cinema era para ser mais rápido do que acabou sendo. Demorei um pouco mais em frente à moça, pois o filme que fui assistir só tinha exibição em 3D. Para minha sorte não havia fila. Apenas eu, ela e uma decisão a tomar.


Olhei para a lista de filmes em cartaz e fiz uma nova escolha. Tinha consciência que estava arriscando meu tempo e dinheiro, mas nada me faria dispensar quase o dobro por duas horas usando um óculos desconfortável para praticamente nada.

Quando entrei na sala de projeção, não mais que 30 pessoas aguardavam o início do filme. A maioria mulheres. Senhoras. Logo a minha frente duas delas. Riam, conversavam alto e comiam pipoca doce. Uma delas arriscou contar o que sabia sobre o filme para outra. Por pouco não pedi que se calasse. Se fosse para me decepcionar preferia que acontecesse pelos meus próprios olhos.

Hal Holbrook
Água para Elefantes é um filme belíssimo. Robert Pattinson, famoso após encarnar o vampiro teen Edward Collen, em pouco tempo de atuação põe por terra qualquer preconceito que se possa carregar sobre ele.

No entanto são três outros personagens que fazem do longa-metragem tão especial. O primeiro deles, é Hal Holbrook. Este é o segundo filme que lembro com ele no elenco. O outro é o ótimo Na Natureza Selvagem. Em ambos fiquei com vontade de tê-lo como avô. Que simpatia. O segundo é Christoph Waltz, ganhador do Oscar pela atuação magnânima em Bastardos Inglórios e que, mais uma vez, atua com brilhantismo. Por fim, mas não menos importante, é a elefoa (ou elefanta) Rosie.

A história que permeia o longa vai muito além dos clichês dos filmes de romance. Baseado no livro de Sara Guen, Água Para Elefantes é uma história cativante sobre as durezas da vida circense nas primeiras décadas do século passado e uma lição para quem for assisti-lo despido de preconceitos ou com a mente aberta.

Altamente recomendável, ainda mais se no mesmo horário tiver passando um filme em 3D. 

Assista.


24 de dez. de 2010

Lendo: Solar de Ian McEwan

Capa da edição lançada no Brasil
Não faz muito disse que vinha tendo sérios problemas para manter minhas leituras em dia. Resolvi checar o que andava esquecido na minha biblioteca particular. Escolhi o mais recente romance do inglês Ian McEwan, Solar. Estou o lendo e creio que antes de segunda-feira já o terei finalizado. Falta pouco.

Se tivesse que resumir Solar em uma única palavra, acho que escolheria: estranho. Não é um romance típico. Está longe disso. O personagem principal é Michael Beard, um cientista vencedor do Nobel a beira dos 60 anos, obeso, comilão e mulherengo. A narrativa de McEwan vai de um lado a outro, intercalando boas passagens com algumas nem tanto. Okay, algumas passagens são terrivelmente chatas.

No entanto, os detalhes e a minúcia com que Ian versa sobre as questões ambientais, aquecimento global e outros é de cair o queixo. Aliado a isso, conforme as páginas vão sendo viradas, alguns trechos cômicos e partes em que a coisa não anda nem com reza braba.

Existem volumes escritos por McEwan melhor que este. A quem discorde. Eu mantenho o que disse: 

Solar é um livro estranho.


PS: Terminei a leitura. A parte final é eletrizante. [editado as 20h30 de 25/12]

***

Veja o que outros dizem sobre Solar:



8 de abr. de 2010

Minha colega "analítica"

A primeira recordação que tenho de Ana, data das primevas aulas de Teorias da Comunicação, ministradas pelo professor e mestre, Marden Lucena. Foi ela a responsável por ler, em voz alta, uma definição de "comunicação" que eu tinha, na oportunidade, o dever de comentar. Ela leu, eu pedi que fizesse nova leitura, eu comentei.

Quatro anos se passaram. A menina, louca, analítica e jornalista, escreveu, ao lado de outras duas colegas, um livro que ando sedento de vontade de ler, embora ainda não publicado. Agora envereda-se pelo mundo da blogosfera. O blog é novo, mas vale a pena conferir, seguir, acompanhar. Foi parido ontem, Dia do Jornalista.

Clichês a parte, que seja eterno enquanto dure.

13 de dez. de 2008

Ajustadores de letrinhas


O Hamilton Ribeiro tem uma fórmula para a realização de uma boa “grande reportagem”. Dela, sobressai-se o bom começo e o bom final. O recheio basicamente se traduzirá em trabalho, trabalho e trabalho. Ao ler o livro “O Repórter do Século”, obra que reúne algumas reportagens feitas – e premiadas – pelo jornalista nas décadas de 1960 e 1970, a reflexão parece inevitável:

- Porque existe tanta discrepância entre o bom texto jornalístico daqueles tempos para os de hoje?

Não cabe apontar qual é o melhor ou qual ostenta as melhores condições de trabalho para o jornalista. São tempos distintos e em ambos, existem argumentos passíveis de discussão. Uma guerra de interesses: nostálgicos X contemporâneos é o que menos interessa. Sempre haverá os defensores dos clássicos e pomposos textos jornalísticos de outrora e os que defenderão o jornalismo dinâmico e imediatista dos dias de hoje.

Ponto.

Falemos do texto. Do produto final da obra jornalística. Afinal, é ele que vai definir a grandiosidade da reportagem. Se o jornalista é bom ou não. O texto. Parafraseando o colunista de Zero Hora, Paulo Sant´Anna, “depois que se presente – no caso: a pesquisa, as entrevistas, as observações de campo, a reportagem em si e tudo quanto envolva o fazer jornalístico –, é só ajustar as letrinhas”. Bingo. Assim: o bom jornalista/repórter deve antes de tudo ser um bom ajustador de letrinhas.

Porém, só ajustar letrinhas garante teor e poder de transformação social ao jornalista. É preciso que exista reflexão, o que, aparentemente não há. É preciso que exista cobrança e principalmente vergonha na cara, tanto dos próprios jornalistas quanto da sociedade em geral. Se há, é pouco. Conheço pseudo jornalistas que não conseguem escrever um lead sequer e ainda se consideram aptos a exercerem a profissão. No entanto, pior são aqueles que nem jornalistas são, e parecem mais desajustadores de letrinhas que qualquer outra coisa.

15 de ago. de 2008

Blog do João


Minha primeira experiência como blogueiro teve influência direta do João. Talentosíssimo jornalista, inteligente e dono de uma visão de mundo única e absolutamente realista, foi um dos responsáveis diretos pela minha incursão definitiva na área da comunicação.

Recordo, ainda hoje, dos dias em que ele dirigia um Fusca Azul abarrotado com as edições do jornal que trabalhava, ainda nos tempos que estudava para se tornar jornalista. Certa vez, chegou empolgado num churrasco que estávamos, trazendo algumas edições fresquinhas do impresso. Nunca esquecerei o sangue nos olhos dele, quando percebeu que uma das pessoas no local, começou a rabiscar a capa do jornal ali diante dele. Foi um ultraje. Disse-me ele posteriormente:

- Isso é uma falta de respeito com o trabalho dos outros.

Além do impresso, era – e ainda é – um apaixonado por Rádio, algo que nunca fui, e, por vezes, temo que nunca serei. No entanto, o João, gremista, crítico político e grande amigo, é, sem sombra de dúvidas, um conselheiro comunicacional e excelente escritor.

Tamanho o apreço que a intenção deste texto é clara, e passa longe de demagogias baratas. Acessem o Blog do João e confiram vocês mesmos. Falando Sozinho, este é o nome. Boa leitura.