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10 de ago. de 2010

Um sapo em copo de leite

[ Encare o texto a seguir - se possível for - como um micro conto ]

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Acredite. Há um sapo dentro deste copo
Era pior quando elas se escondiam debaixo dos cômodos, das cadeiras ao redor da mesa de jantar, ou apareciam de repente nas paredes da sala ou do quarto. Morria de medo.

Certo dia cheguei em casa apertado para usar o sanitário. Corri para o banheiro a fim de aliviar minhas agruras. Lembro com perfeição do branco do vaso. Levantei a tampa com pressa, e já arriando as calças levei um susto ao me defrontar com uma rã me encarando lá dentro. Por pouco não tropecei e cai no piso gelado. Apenas tive tempo de fechar a tampa. A reação foi imediata. Dei descarga. Torci para que a força da água levasse embora o pequeno sapinho e me livrasse daquele tormento. Nada. Ele continuava lá, mais molhadinho, esperando algum movimento brusco. Algo que o fizesse pular, e caso o fizesse, era em mim que repousaria. 

A cena não me saiu mais da cabeça: um sapo em um copo de leite. Uma metáfora. Como tantas outras, tantas outras.

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Da sessão achados e perdidos. Texto originalmente escrito em meados de 2008.







2 de ago. de 2010

Insignificâncias

A minha volta um amontoado de papel. Uns em branco outros não. Uns importantes, outros nem tanto. Só esperam minha boa vontade.

- Dariam uma boa fogueira, penso.

Uma garota grávida trabalha diante de um computador. Amanhã ou depois o bebê já terá nascido e ela não estará mais diante do computador fingindo que trabalha. A cadeira dela não é nada confortável. Não sei como agüenta passar tanto tempo sentada, ainda mais carregando uma nova vida dentro dela.

- Porque simplesmente não vai embora, penso.

O ar condicionado faz um barulho insuportavelmente chato, mas ameniza o calor. Menos mal. Atrevo-me a dizer que faz um tiquinho de frio. 

Atrás de uma divisória outra mulher fala sem parar ao telefone.

Se fosse contar quantas vezes ela atende o aparelho ou pede chamadas, encheria algumas dezenas de algarismos. Pra completar, a lixeira está abarrotada com copos plásticos, todos sujos de café. Um mal necessário e condenável, prejudicial ao organismo e ao meio ambiente.

- Para! A maioria destes copos foi tu que largou ali, penso.

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