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5 de dez. de 2010

Chocantes suecos

Os suecos do Hellsongs, reconstrução de clássicos do metal em suaves canções,
num mix entre Pato Fu e Alanis Morissete


Enquanto não tomo vergonha na cara e crio um local no ciberspaço – leia-se, um blog – para tratar exclusivamente de música, esporadicamente, dedico um post ou outro cá no impressões para tratar deste tão inspirador assunto.

O motivo desta rápida aparição dominical é uma banda sueca chamada Hellsongs.

A dica, é bom lembrar, é especial para aqueles que como eu passou a maior parte da adolescência ouvindo discos de bandas como Megadeth, AC/DC, Judas Priest, Metallica e Iron Maiden e depois de um tempo, apesar de continuar simpatizando com as bandas em questão, já não tem tanta paciência para “pancadaria” em excesso.

Os suecos parecem ter se especializado em desconstruir alguns hinos metálicos, para então transformá-los em pequenas preciosidades, e, sem dúvidas, é um dos achados mais bacanas dos últimos tempos. Estão no seu quarto álbum, todos com versões pra lá de diferentes de músicas que fizeram – e a ainda fazem a alegria de adolescentes (ou não) “camisetas pretas” –, como, “Seek and Destroy”, “Thunderstruck”, “Breaking the Law” entre outras.

O impacto, caso você – que lê estas linhas – tenha se acostumado e ainda lembra algumas das letras das versões originais é maior, caso você nunca tenha sido chegado a metal pesado e de repente tem o prazer de conhecer o trabalho destes suecos.


O que eles fizeram com “Symphony of Destruction”, gravada originalmente pelo Megadeth de Dave Mustaine no álbum Countdown to Extinction (1992) é digna de músicos dotados de raro talento. Merece aplausos. É chocante.


Ouça as duas versões e tire suas próprias conclusões. Eu gostei e recomendo.



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16 de mai. de 2010

Obrigado, Ronnie James Dio

O baixinho se foi. Aos 67 anos, Ronnie James Dio morreu na manhã de hoje no hospital onde se tratava de um câncer no estômago. A música pesada está de luto. Uma de suas figuras mais emblemáticas partiu. Pediu licença para descansar, para sempre.

Há um ano tive o prazer de assistir o mestre em ação com a banda Heaven and Hell (ou como, de fato, o Black Sabbath que gravou Heaven and Hell (1980), Mob Rules (1981) e Dehumanizer (1992) ) no Ginásio Nilson Nelson em Brasília. 13 de maio de 2009 pra ser mais exato. Recordo que enquanto me aproximava dos portões e ouvia a música que saia das entranhas do ginásio me questionava se aquilo era uma gravação ou era a banda passando o som. Perguntei para um ou dois fãs que circulavam pelo local.

- É o Dio cantando?

Pois era. O sexagenário Dio cantava, com exímia maestria os estrofes de “Mob Rules” e “Fear”, do seu – infelizmente – último registro de estúdio (The Devil You Know, 2009) como se estivesse brincando de cantar. Não acreditei. Ouvi aquela passagem com o sorriso nos lábios, o brilho nos olhos e uma cerveja gelada na mão. Estava prestes a realizar um sonho. Ver o baixinho ao vivo.

Quando acabou o show e Dio se despediu do público acenei, como todos os demais 7 mil fãs, em agradecimento pela noite maravilhosa. Guardei no lado esquerdo do peito o sorriso e o carisma daquele nanico horroroso como se um presente e voltei a vida normal. A partir daquele dia poderia dizer para todos:

- Eu vi Dio porra.

E é verdade. Eu vi e jamais vou esquecer. Porque a voz de Dio fez parte da minha adolescência. Discos como Heaven and Hell, Dehumanizer, Holy Diver e Rising me acompanharam por anos e anos me fazendo acreditar que se eu seguisse em frente, de cabeça erguida e sangue nos olhos, poderia conquistar tudo que quisesse.

Não me resta dúvidas que a tristeza que sinto nesse domingo vai, mais cedo ou mais tarde, se amainar. As lembranças estão ai para todo sempre. Os discos, os LPs, os CDs, os DVD´s, a memória daquela quarta-feira, 13 de maio. Isso jamais se apagará. Dio cumpriu com sua missão. Descanse em paz e obrigado baixinho.

“If you listen to fools, the mob rules”


[Lamentavelmente, como estampado no site oficial do baixinho: "Ronnie James Dio perdeu sua batalha final contra o dragão em 16 de maio de 2010"]

3 de nov. de 2009

Audiência envelhecida

No domingo, 1° de novembro, assisti o show do vocalista Tim Ripper Owens em Brasília. O cantor ganhou fama após substituir o lendário Rob Halford no Judas Priest, entre 1997 e 2002, período em que gravou dois álbuns de estúdio com o grupo e outros dois “ao vivo”, um deles com versão em DVD e altamente recomendado (Live in London).

No show realizado na capital federal, Ripper apresentou um repertório recheado de clássicos do conjunto britânico e outras releituras de canções de bandas como Iron Maiden, Deep Purple, Yngwie Malmsteen e Black Sabbath. Acompanhado pelos músicos da banda paulistana Tempestt, Ripper fez um show correto, provando ser um dos grandes vocalistas do estilo em atividade.

No entanto, foi a platéia que mais chamou atenção. Apesar do público reduzido, não mais que 250 pessoas, e do fato do transporte público em Brasília ser caótico, a constatação é inevitável: o público metal está ficando velho.

Nos anos 70, o rock pesado era novidade, os músicos jovens rebeldes e drogados, logo, sua audiência também. Nos, 80, embora mais amadurecidos, o estilo criado na década passada ganhou forma e ramificações. O estilo cresceu, e logo absorveu ainda mais público. Na década de 90, mesmo com o grunge de Kurt Cobain quase aniquilando o estilo, a situação pouco mudou.

Agora, em pleno século XXI, não se vende mais discos, a digitalização oferece quase em tempo real, os shows e as músicas dos artistas do gênero (e de todos outros, claro). A novidade inexiste. Os fãs envelheceram. Os músicos das grandes bandas são cinquentões. A molecada sumiu dos shows de metal, a pergunta que me assombrou na adolescência parece que aos poucos vai ganhando uma resposta e, sim, o heavy metal pode sim acabar.

8 de ago. de 2009

Ainda famintos

[ Reprodução da capa do clássico Stay Hungry (1984) do Twister Sister ]

Esse post é uma homenagem aos velhos tempos. Escola, casa do Jader, música alta, filmes de terror e putaria e claro, brigadeiro em lata. Coisa de 15 anos atrás. De tempos que tínhamos cabelos compridos e achávamos isso o máximo. Tempos de moleques sem obrigações.

Fazia anos que não colocava o Stay Hungry do Twisted Sister para tocar no meu cd player. Foi como uma volta no tempo e espaço. De imediato recordei a tarde gasta para tirar o solo de “We´re not gonna take it”. Por mais que disséssemos: Conseguimos, vamos tocar. Nunca fizemos direito. E parece que só hoje somos sinceros o suficiente para admitir.

Semana passada o Jader, hoje advogado e ainda grande amigo disse: “Até hoje não sei tocar o solo desta música”. Rimos. Um em cada extremo do Brasil, em frente à tela de um computador. No entanto, Stay Hungry continua intacto e fazendo estragos. Ouvi-o de cabo a rabo, imaginando-me na pele de Dee Snider. Pena não poder faze-lo em conjunto com toda aquela turma.

Somos trintões. Ainda famintos* e cientes que sempre que os acordes de “I Wanna Rock” tocar, as lembranças viajaram até 1995, 96 ou 97. Alguns dos melhores anos de nossas vidas.
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*Referência ao título do relançamento do álbum (Still Hungry)

7 de jan. de 2009

Bons presságios

Em sete dias, o novo ano já rendeu algumas notícias arrebatadoramente deliciosas. Embora tenham um "q" de boato descarado, não deixam de ser encantadoras. Não bastasse o Iron Maiden aportando em Brasília em março, Lemmy Kilmister também dará o ar da graça um mês depois em Goiânia, e a formação do Sabbath que gravou o brilhante Dehumanizer em 1992, tem apresentação marcada para o dia 13 de maio na capital do país.
Uma tríade capaz de me fazer implorar por um beliscão. Que não seja um sonho, grita meu íntimo nessa tarde chuvosa e tediante no oeste baiano. E mais: que aja dinheiro, e tempo vago para três viagens deste quilate.



[A banda inglesa Iron Maiden volta ao Brasil em março para 5 novos shows, incluindo passagens por Manaus, Recife e Brasília dia 20]


[Num domingão, 12 de abril, é a vez de Lemmy Kilmister e o Motorhead soltar os cachorros em Goiânia]

[Em maio é a vez do Heaven and Hell se apresentar em Brasília, no Ginásio Nilson Nelson. Aos desavisados, o grupo nada mais é que o Black Sabbath que gravou os álbuns The Mob Rules (1981) e Dehumanizer (1992)]