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12 de set. de 2008

A culpa do coreano


Oh Yeon Ho entrou pra história do mesmo modo que outros tantos antes ou depois dele: criou um legado para gerações futuras, principalmente no que se refere ao campo da comunicação social. O jornalista coreano fundou em 2000 o site OhmyNews permitindo a todo e qualquer habitante do seus país o envio e publicação de artigos noticiosos. Primeiro: valeu-se de uma mídia em ascensão para fazer jornalismo. Segundo: transformou todo cidadão em repórter potencial, independente do seu grau de escolaridade.

A “brincadeira” de Yeon Ho obviamente trouxe melhorias ao povo do seu país. Muitas das mazelas sociais que afligiam o povo coreano e que estavam ausentes dos jornais impressos vieram à tona. A história ganhava novos atores. Todo cidadão deixava a condição omissa de coadjuvante para enveredar-se nas entranhas da comunicação. “Todo cidadão é um repórter”. Salve Yeon Ho e mil vivas para o jornalismo colaborativo, tão em voga passados oitos anos da criação do jornalista de olhos puxados.

A iniciativa mostrou ao mundo as falhas existentes na cobertura jornalística, dando brechas para novas/velhas discussões sobre a profissão. Vale lembrar a situação instaurada no país atualmente sobre a legalidade do diploma. Exposta e indefesa a prática jornalística ficou refém de velhos paradigmas, enquanto a tecnologia mostrava-se cada dia mais capaz de se adaptar aos efeitos da globalização. Desamparada a caravela seguiu para o mar.

Não houve tempo para um revide. O conservadorismo bateu o martelo diante do ímpeto jovial e devastador das novas mídias. Como se dissesse: “Não vai nos derrubar. O rádio, veja só, continua forte mesmo com o advento da televisão. Assim será com os jornais impressos e assim será com o profissional da área jornalística”. De quebra todo e qualquer cidadão ganhou status de repórter, como num passe de mágica. Viva a democratização.

Entretanto, o que se pergunta é: Qual profissional? O amparado pela falta de leis que regularizam a profissão e por isso mesmo propagam o senso comum como verdade absoluta e fidedigna ante o confronto das fontes, aquele que passa quatro anos (ou mais) de sua vida dentro de uma instituição e na prática, mais parece uma ovelhinha indefesa em meio aos leões, ou aquele outro que munido de um aparelho celular ou câmera digital descobre-se “o jornalista” e – quase sem querer – põe mais areia neste caldo amargo.
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Para mais informações sobre a luta dos jornalistas para regularização da profissão no congresso nacional, acesse o Site da Federação Nacional dos Jornalistas - FENAJ
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Link do site OhMyNews, criação do jornalista coreano Oh Yeon Ho, caso alguém saiba coreano.

20 de ago. de 2008

Profissão ameaçada


O falatório sobre a extinção da necessidade do diploma para os jornalistas cresce a cada novo raiar do sol. Com isso, a preocupação para novos, velhos e futuros profissionais da área. É possível que em alguma caverna mal cheirosa se confabulem pragas a favor desse retrocesso. Oriundas claro, da parte precária e que exerce livremente e sem necessidade de graduação um “pseudo jornalismo”. Assusta. Não é de hoje e não será com um estalar de dedos que a profissão voltará aos céus de dantes.

Entretanto, parafraseio a adaptação do discurso proferido pelos jornalistas e professores acadêmicos Gilson Piber e Antônio Fausto Neto da UNIFRA de Santa Maria/RS, durante a colação de grau de uma nova trupe de jornalistas no último dia 8 de agosto, quando pedem aos “novos” profissionais que “tenham noção destes tempos para trilharem as possibilidades de fazer melhor os tempos de amanhã, onde neles os recém-formados vão estar nesta profissão”.

E continuam: “Aos novos jornalistas, pedimos que não esmoreçam diante das dificuldades. Especialmente dos tempos sombrios das condições de trabalho impostas pelas mutações que a noticiabilidade sofre hoje, em decorrência de mudança nos processos produtivos”. Enfim, ser jornalista virou questão de fé.

O artigo/discurso na integra pode ser lido no link ao lado: “Formar não é envelopar”