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9 de fev. de 2009

Obama é "pop"

Foto: Último Segundo

Ele não é músico. Disse em entrevista a Rolling Stone Brasil ser fã de caras como Bob Dylan e Bruce Springstein. Só. Alias, não faz o tipo “pop star”. Deve mesmo estar fazendo inveja em caras como Bono Vox e Michael Jackson. Ou não. O importante é que ele hoje é o cara mais importante do mundo. Barack Obama, o 44ª Presidente dos Estados Unidos da América.

Não há ser vivo que não tenha ouvido sequer falar em Obama. Definitivamente, não há. O mundo se rendeu ao mulato, filho de pai queniano e negro e mãe branca americana do Kansas. Todos. A mídia o idolatra e as esperanças do planeta parecem todas voltadas para ele. O salvador do mundo. Não obstante, 2 milhões de pessoas assistiram in loco a posse de Obama no capitólio em Washington. E outras tantas – cerca de 37 bilhões – assistiram via televisão e internet.

Lágrimas não faltaram. Viam-se pelo tubo da televisão, brancos, negros, mulatos. Uma multidão agasalhada sob uma temperatura de 4 graus negativos, deixando a mostra pouco mais que olhos, nariz e boca. Choravam, choravam e choravam. Diferente, e muito, das groupies de conjuntos de rock ou de fãs xiitas de ídolos como Bono, líder do U2. Milhares de pessoas empoleiradas diante de telões, ou a quilômetros de distância do palanque de discurso. Sem reclamar. Pessoas desligadas de todos os problemas existentes e possíveis. Sem crise econômica. Sem desemprego. Sem raciscmo. Pura e simplesmente, depositando o que lhes resta de fé na renovação. A renovação de Barack Obama.

Esperança de uma mudança, pois assim, Obama se fez. Bradando em todos comícios de campanha ao longo de 2007 e 2008: Yes, we can. Sim, nós podemos. É o que inspira e fez com que um relé músico queniano escrevesse canção inspirada no slogan do filho mais famoso do pobre país africano. E mais, é o que motiva as pessoas a olharem para frente como se tudo não passesse de um sonho ruim e agora – e só agora, depois de 20 de janeiro – o super-herói estará lá para livrar a todos mal, amém.

Assim seja. Obama é sinônimo de carisma. A retórica é refinada e cativante. Imagino esses propensos pop stars mordendo os calcanhares ao ver o homem falar. Falar e ser ouvido. Falar e ser traduzido e ser lido. Lido e relido. Por que assim ele disse: “neste dia, nos reunimos porque escolhemos a esperança no lugar do medo, unidade de propósito no lugar de conflito e da discórdia”. Silêncio. As palmas ficam para o final. Mas não o final do primeiro de muitos discursos e/ou atos oficiais do novo grande líder mundial. Elas ficam para o final de sua história a frentes da “maior nação” do mundo.

Quando? Aguardemos. O planeta já fez de Obama “o negro”. O primeiro a liderar a toda poderosa nação americana. O que virá na seqüência? O novo queridinho do mundo dá os primeiros passos de uma trajetória que promete ser ardilosa e certamente, não fugirá daquilo por ele dito no discurso de posse: “que a cidade e o país, alarmados por um perigo comum, avancem para enfrentar”. Sorte a ele por lá, e sorte cá pelo Oeste, também aos que nos governam e intentam mudanças em prol do bem estar coletivo.

Enfim, mil vivas ao novo rei “pop”.
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Artigo publicado para a coluna "Ponto de Vista" do Jornal Classe A de Luis Eduardo Magalhães/BA, Edição nº121 de 31 de janeiro.

6 de nov. de 2008

A resposta que soprava no vento


Fiquei surpreso com a rapidez da divulgação da vitória de Obama nos EUA. Nas eleições passadas à disputa entre Bush e Gore se estendeu por vários dias. Algumas línguas insistem, ainda hoje, em apostar em fraude naquele pleito.

Por Zeus, acreditei que McCain seria eleito novo presidente dos EUA amparado justamente pela possibilidade de uma nova fraude, mesmo que a anterior não passe de uma suposição sem fundamento.

Na manhã de ontem, um amigo não disfarçava o sorriso de euforia pela vitória de Obama. Segundo ele haverá uma ruptura de paradigmas muito grande não só no país do Tio Sam bem como no resto do mundo. O país que pariu a Ku Klux Kan elegeu um presidente negro e descendente de africanos. Pergunta-se: A quem interessaria eleger um homem com esse perfil para governar um país como os EUA?

Bush tornou-se o inimigo número um de praticamente todo planeta. Quando visitou o Brasil foi preciso redobrar a segurança para evitar contato direto com as manifestações contrárias à maneira Bush de governar. E aí cabe ressalvar os erros cometidos na invasão e posterior guerra contra o Iraque e a maneira incisiva com que o estadista lidou com a situação.

A quebradeira econômica das últimas semanas parece apenas ter servido como estopim para a mudança anunciada. Alias, não só anunciada como propagada na campanha de Obama. E nesse ponto parece claro que a eleição de McCain seria praticamente uma continuidade do governo Bush. A opção por Obama demonstra insatisfação. O mundo convergia para eleger Obama.

Ele tornara-se um ícone, um pop star. Uma alternativa para dar um basta a saturação dos ideais de Bush e iniciada ainda nos tempo de Reagan na década de 1980. Se vai melhorar ou não a mudança de feição e estilo no comando do EUA, somente o tempo a de dizer. De certo no momento somente a canção de Dylan: a resposta meu amigo está soprando no vento.