11 de out. de 2010

Eu vi o RUSH


Assistir a um show dos canadenses do Rush era, até a noite da última sexta-feira, 8 de outubro, um sonho. No entanto, e ainda que a chuva que caia em Porto Alegre tenha conseguido atrasar o voo para São Paulo em 4 horas, o sonho se tornou realidade e hoje, três dias após o inesquecível show do trio na capital paulista, posso dizer em alto e bom som:

- Eu vi o RUSH

Segue duas fotos in loco, pouco antes do histórico concerto e um vídeo de qualidade inquestionável da clássica “Tom Sawyer”, que abriu a segunda parte do show.

Cerveja gelada e ingresso na mão. Há duas horas do início do show

Na odisséia para ver o Rush, encontrei ainda em Porto Alegre, o Tiago, lá de Criciuma/SC, que além do Rush foi no SWU ver o Rage Against the Machine. Grande figura.




PS: Uma descrição com mais fôlego e detalhes, prometo para breve aqui no blog.

7 de out. de 2010

O Brasil não se leva a sério



Ainda no domingo, 3 de outubro, um comentarista da Rede Bandeirantes de Televisão dizia que a campanha para as eleições deste ano foram insossas, tendo nos principais candidatos ao Planalto uma demasiada cautela em relação a apresentar propostas que façam jus as necessidades deste país varonil. 

De fato, a exceção de Plínio, o que se viu no fajuto período de propaganda, em especial na dos dois principais nomes para suceder Lula, foi uma quase que total imersão na mediocridade. Um mergulho profundo na falta de bom senso, tanto de políticos quanto de eleitores como um todo. Os primeiros, movidos pelo desespero de encontrar – ou reencontrar – o poder. Os demais, pela descrença ou mesmo pela falta de discernimento para operar mudanças significativas nos âmbitos municipal, estadual ou federal.

A política no país é um verdadeiro circo. Em linhas gerais, o Brasil não se leva a sério. A esmagadora eleição de um palhaço para representar São Paulo no congresso nacional se assemelha as caricatas bobagens que, nos seus primórdios o programa global Casseta e Planeta fazia em época de eleição (e talvez ainda o faça, embora com bem menos qualidade e originalidade) e é um exemplo crasso de como o brasileiro encara a política. A bem da verdade, Tiririca é uma mentira. Um tipo de piada que se conta no horário considerado nobre da televisão brasileira para manter o povo à margem e pregado na rotina estafante de trabalho – muitas vezes, quase escravo –, feijão com arroz, novela e cama. Um horário em que, infelizmente, impera a espetacularização do ridículo com apresentadores que se travestem de mongóis. Empurra-se, literalmente, com a barriga. 24h por dia. E assim seguimos.

O candidato é o personagem Tiririca ou o cidadão que atende por Francisco Everardo Oliveira Silva?

Tiririca, que na verdade é um personagem criado e mantido pelo humorista Francisco Everardo Oliveira Silva, fez 1.353.820 votos, representando um partido em ascensão, o Partido da República (PR) e que, curiosamente é detentor de correligionários em centenas de prefeituras em todo país, Luís Eduardo e Barreiras entre eles. No entanto, o que intriga é como um partido que se diz em prol da república aceita a filiação de um palhaço? Também este não se leva a sério? Apostou na dúvida entre o fracasso e o sucesso de uma candidatura dúbia para pensar nas consequencias somente após as eleições? Ou, está simplesmente esperando o momento certo para esclarecer a todos que tudo não passou de uma brincadeira?

De acordo com reportagem do jornal Correio Braziliense, publicada na quarta-feira, 6 de outubro, Tiririca tem uma semana, até 13 de outubro para provar que é o dono da caligrafia escrita no documento que pede o registro de candidatura protocolado no Tribunal Regional Eleitoral paulista (TRE-SP). Em miúdos, se for provado que o documento foi manuscrito por terceiros, o palhaço terá a candidatura impugnada e não será diplomado. Será? Na mesma reportagem, curiosamente, uma educadora avalia a situação sob outra ótica, a dos direitos políticos. “Nós lutamos anos para que os analfabetos pudessem votar. Por que eles não podem também ser eleitos?”, indaga. Boa pergunta e que merece cuidadosa reflexão.

Em contrapartida, na sempre bem humorada coluna que mantém no jornal O Estado de São Paulo, o jornalista Tutty Vasques coloca mais lenha na fogueira. “Não é justo que se cobrem bons antecedentes do Maluf e se mantenha impune o sujeito que votou, por exemplo, no Tiririca. Fosse ele penalizado quando elegeu o Enéas, o Pitta, o Collor ou o Jânio, já teria parado com essa palhaçada”, escreve Vasques. O colunista faz ainda uma analogia com o famigerado projeto de lei “Ficha Limpa” (praticamente estancado na incoerência dos magistrados do supremo), taxando os eleitores deste tipo de candidato (“tiriricas, “mulher-melão”, “casal roriz” e outros) como “eleitor ficha suja”. “O gaiato analfabeto que agora estão mandando para o Congresso pode até ser cassado, mas outros virão em seu lugar se a brincadeira de mau gosto não for cortada pela raiz”. E mais: “O bafômetro em boca de urna também ajudaria a evitar novos desastres provocados pelo voto-bêbado que elegeu uns e outros país afora”. Reflitam, reflitam.

Por fim e quase que ciente que não há mais esperança, reproduzo parte de um e-mail recebido esta semana e que, grosso modo, ajuda a entender os tantos porquês de eleição após eleição continuarmos reclamando das mesmas coisas e ainda assim nada mudar. O brasileiro saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas; estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas; suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração; troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura; fala no celular enquanto dirige; dirige após consumir bebida alcoólica; fura filas  nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas; espalha mesas, churrasqueira nas calçadas; faz  " gato "  de luz, de água e de tv a cabo, Compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata e ainda quer que algo mude na política que ele mesmo ajuda a construir.

Eu avisei. Ta lá no segundo parágrafo: o Brasil não se leva a sério.




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Texto escrito para a coluna Ponto de Vista do Jornal Classe A de Luís Eduardo Magalhães/BA

27 de set. de 2010

Tributo a estação das flores

Aproveitando a chegada da primavera, segue uma sequência de fotos em homenagem a estação das flores e uma versão arrebatadora de "Primavera" na voz do síndico do Brasil, Tim Maia.

[No início de uma manhã qualquer em Paranavaí/PR (Foto: Anton Roos)]

[Em Paranavaí/PR, cidade do melhor rodízio de pizza do Brasil (Foto: Anton Roos)]

[É primavera]

[Na minha terra Natal, Três Passos/RS (Foto: Anton Roos / @antonroos79)]

E agora sim, Tim Maia:

A trinca da mesmice


São três os assuntos para os quais, dizem: não haver consenso: política, futebol e religião. Debater esses temas, de acordo com esta linha de entendimento, é, portanto, jamais encontrar um denominador comum. Nunca. Em hipótese alguma. Não adianta insistir.

Política, futebol e religião são temas subjetivos. Todos têm – ou acham ter – uma opinião formada sobre eles e, por mais absurdo que pareça, são capazes de defender seus posicionamentos a ferro e fogo.

Um militante de esquerda, por exemplo, vai votar no partido e nos candidatos que defendem esta ideologia, mesmo que este partido ou bandeira após oito anos no poder tenha demonstrado um perfil muito menos radical do que aquele que o fez iniciar a militância. Dialogar, num caso como este, é como tentar convencer alguém que o céu não é azul, mas, sim vermelho.

Talvez pior, seja fazer com que um debate entre um torcedor xiita do Grêmio e outro do Internacional tenha um vencedor. Por mais que existam argumentos que possam qualificar um perante o outro, nunca haverá consenso. Para os gremistas o tricolor continuará imortal e para os colorados o Inter, gigante, multi-campeão e por isso superior. O mesmo pode ser aplicado para o caso de um debate entre torcedores de Palmeiras e Corinthians ou Vasco e Flamengo. Haverá argumentos para engrandecerem tanto um lado como outro, consenso, porém, jamais.

Em se tratando de assuntos ligados ao divino também. Imagine um católico convicto, um pastor evangélico, um espírita e um adepto do candomblé tentando convencer um ao outro que sua teoria é a correta. Impossível. Ainda que os quatro empreendam um debate pela eternidade afora, nunca vão conseguir tornar um assunto tão complexo em unanimidade.

Política, Futebol e Religião além da falta de consenso, padecem de outro mal. O discurso de seus protagonistas é sempre o mesmo. Os candidatos a presidência da república participaram de vários debates, sempre com os mesmos discursos de sempre. As mesmas frases de efeito e as mesmas tentativas de convencimento furadas. Jogadores de futebol, falam a mesma coisa sempre que terminam uma partida e fanáticos religiosos dizem sempre a mesma coisa para convencer os fraquejados de espírito. 

Três temas que, no fim das contas, caem sempre na mesmice e só enganam os bobos.


16 de set. de 2010

O amor precisa voltar

É comum se dizer que sem amor o ser humano não vive. Essa palavrinha de quatro letras acompanha o homem desde sua concepção, tanto, que somos em grande parte, frutos dele: o amor. Na edição passada [na coluna semanal que assino para o jornal Classe A de Luís Eduardo Magalhães/BA], republiquei texto de um talentoso amigo e quase graduado nas artes do jornalismo, em que ele rechaça por completo as crônicas e poemas que versam sobre o amor.

Desta feita, que fique claro, não pretendo estender a discussão proposta pelo colega, pois, considero que o confronto de ideias, quando feito de maneira civilizada, é a melhor forma para se encontrar um denominador comum. A questão que levanto é, digamos que, mais simples: falta-nos amor. Isso mesmo. Está faltando amor na vida das pessoas. Compartilhar este sentimento tão natural e essencial para a continuidade da vida. Conjugar o verbo. Amar.

Há alguns anos assisti uma cena, no mínimo, intrigante e que de certa forma pode ajudar na compreensão daquilo que proponho esta semana. Tratava-se de uma cena que simboliza o quão complexo o amor pode se apresentar para as pessoas. O quão importante são os pequenos detalhes e talecoisa. As miudezas subjetivas, que em dado momento da história da humanidade foram alvo de deturpações. De um momento em que se tentou igualar a todos a números objetivos e sem emoção. A tal racionalidade de Descartes e outros tantos.

Na tela, um pesquisador mostrava seu trabalho para um programa de televisão especializado na mãe natureza. Explicava os mínimos detalhes e aprendizados absorvidos ao longo de anos de pesquisa e observação. Estudava um pássaro raro. Em miúdos, o tal pesquisador delegou anos preciosos de sua existência a seguir os rumos daquela pequena ave. Criou, inconscientemente, um vínculo afetivo exclusivo com aquela espécie e com o trabalho que realizava.

No decorrer da apresentação, tanto o pesquisador quanto a emissora foram pegas de surpresa. Presenciaram o nascimento de uma nova vida, de um novo pássaro daquela rara espécie. As câmeras atentas captaram todos os momentos daquele nascimento. O homem, no alto de sua subjetividade e incapaz de equilibrar o racional com o afetivo, simplesmente desabou em lágrimas. Chorou copiosamente e não escondeu a emoção ao ver o pequeno pássaro ganhar a vida. Era como se fosse um filho, um presente após tantos anos de dedicação e pesquisa. Aquele homem protagonizou uma das cenas de amor mais belas e ao mesmo tempo inquietantes que já assisti e, com o perdão da assertiva, muito mais honesta, por exemplo, que muitas vis tentativas do cinema e da teledramaturgia.

É bom que fique claro que não importa nesse texto encontrar as razões que fizeram aquele homem, dedicar toda uma vida a pesquisa dos hábitos de vida de um pássaro raro. Seria injusto procurar motivações para isso. Meus vieses poderiam deturpar qualquer análise. No entanto, julgo necessário dizer que é provável que aquele homem tenha encontrado no trabalho a motivação necessária para viver. Talvez, os desencontros amorosos daquele homem o frearam e serviram de estímulo para que se distanciasse de novos “encontros”. Como fazem muitos corações partidos nesse mundo, aquele pesquisador procurou o foco para sua felicidade em outra realidade.

Quando se estão em jogo dois universos distintos, duas cabeças pensantes e cheias de “verdades”, o amor pode acontecer, como pode “desacontecer”. Pode se tornar uma ferida enorme. Incurável. Como pode se tornar uma necessidade mútua de presença, de carinho, de afeto, de vida. O acúmulo de “desacontecimentos” pode levar uma pessoa a tomar decisões parecidas com a do pesquisador ou, ascender para o lado negro da força, e cometer, por exemplo, assaltos primários com um capacete na cabeça e escapulindo com uma motocicleta. O ser humano precisa aprender a lidar com as novas rotinas da vida neste século, adaptar-se e deixar que o amor volte a acontecer em suas vidas, senão, seremos cada dia mais vítimas de bandidos covardes que pensam ser vilões de uma história em quadrinhos, escondidos atrás do visor de um capacete.




12 de set. de 2010

Chico não gosta de crônicas de amor


Para o Chico não existem crônicas, nem poemas de amor. Romances sim, mas quase todos de qualidade nula. É a opinião dele, prefiro não questionar. Chico, diz-se muito se admirar “do homem que se aproxima da mulher amada com uma folha amarfanhada de versos contidos, sem métrica ou ritmo, com rimas que unem sem nenhuma vergonha amor e dor”. Chico acredita ainda que poesia ruim se escreve em cinco minutos e uma crônica de má qualidade em pelo menos seis. As aspas utilizadas neste primeiro parágrafo fazem parte da abertura de uma crônica escrita pelo talentoso e quase graduado colega Francisco Marcos. Vasculhando meus arquivos reencontrei o por pouco esquecido texto que rechaça a existência de crônicas ou poemas de amor. Os argumentos são classudos, e ainda que questionáveis, merecem um tiquinho de atenção. Segue, entre aspas, o restante do texto escrito pelo Chico.

“O cronista geralmente tem algum conhecimento da língua maior do que os poetas. E não é discriminação não, porque eu mesmo já tentei uma que outra poesia de amor, que nem de amor é, como defenderei ainda. Também tem mais fôlego que o poeta, afinal, não é fácil escrever razoavelmente em prosa, fazendo das regras gramaticais, um mar caudaloso de simbioses entre poesia, literatura. A poesia hoje se faz de símbolos e de palavras soltas, sem nuances com a subjetividade real e terrena, pois boa parte tendenciam para uma realidade metafísica e planetária...e o que é mais importante: a poesia de hoje proíbe a conjunção”.

“Como eu dizia, não existem crônicas de amor. Conheço um amigo que escreve sempre a suas namoradas em forma de crônica, longas crônicas que falam desde um sorriso perdido no meio da sala até suas fantasias sexuais mais íntimas. É o modo que ele tem de lhe escrever cartas. Assim, pensa ele, vai manter viva duas coisas muito importantes na sua vida: a namorada (que ele perdeu recentemente, diga-se de passagem) e a literatura (que também não é das melhores)”.

“Por sinal, também não existem cartas de amor”.

“O que quero dizer com isso é que o amor, esta abstração de rara compreensão, inexaurível em toda a sua fonte de matéria-prima para as artes, não pode jamais ser reproduzido num estado de consciência minimamente necessário para se escrever qualquer coisa que preste. A frase é velha, o clichê mais do que repetido, mas aqui ele cabe: o amor embriaga; e não conheço ninguém que, embriagado, tenha escrito uma só linha que prestasse”.

“Mesmo Vinícius de Moraes, grande poeta e amante etílico, escreveu maus poemas quando bêbado; há uma teoria corrente entre os que o lêem sem a pretensão (ou diria estupidez) acadêmica de que Vinícius escrevia justamente sob (sob!!) este estado alterado em que se encontram as pessoas que se amam”.

“De resto, o amor não existe em literatura. As crônicas de Rubem Braga que falam de mulheres são, antes, crônicas de sedução. O amor não acontece; está para acontecer. O espaço de tempo entre uma e outra coisa pode ser ínfimo, mas é crucial para se compreender a inexistência do amor na literatura. O texto literário sobre o amor só existe antes e depois. A crônica de sedução é antes”.

“Outro tipo de crônica tida erroneamente como "de amor" e a do depois, ou seja, a crônica do ressentimento. Hoje este gênero perdeu muito de sua força – mas não toda – e é melhor explicada se se usar como exemplo as músicas sertanejas. Crônicas de ressentimento são ruins como músicas sertanejas, porque falam invariavelmente de uma traição sofrida, de um abandono repentino, de tapas e beijos”.

“O grande mestre Machado de Assis é um que jamais ousou escrever sobre o amor, pois bem compreendia a impossibilidade disso. Por outro lado, compôs obras-primas de ressentimento e sedução. Dom Casmurro é um romance de ressentimento; Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma mistura entre o ressentimento e a sedução. Nos contos de Machado encontra-se de tudo, menos amor. O que não quer dizer que quem escreva, e bem, sobre estes períodos anteriores ou posteriores ao amor sejam uns insensíveis. Joaquim Maria Machado de Assis amava Carolina; mas sabia que, para a literatura, este sentimento era uma afronta ao bom-senso”.

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E então, amigo leitor (a): concorda?



3 de set. de 2010

Coincidência

Nada de sorte ou azar, apenas COINCIDÊNCIA
O taxista disse que não existe sorte ou azar mas, sim, coincidência. Em geral, gosto de taxistas, ainda que existam uns que ao tentar ser cordiais com seus passageiros se tornam chatos em demasia.

Não era o caso.

O senhor “coincidência” era/é apenas um prestador de serviço tentando proporcionar um bom atendimento para seus clientes. 

Nada demais nem de menos. Apenas uma tentativa de ser gentil, ainda que não se tenha talento algum para tal.

Ademais, chovia grosseiramente em Porto Alegre e passava de onze da noite. Era o dia seguinte do roubo da motocicleta do meu irmão e da sua quase que instantânea recuperação. O dia que, na indefinição se sorte ou azar, preferimos a tese retumbante do motorista de táxi: coincidência.

A moto foi e voltou por coincidência