
A essa altura, a Pan American era a principal companhia área em atividade no mundo, com rotas regulares para boa parte da América Central, Europa e Brasil, incluindo a capital, Rio de Janeiro. Contrariando as tendências, o alto e magro Blotner, adentrou na mata em busca de informações climáticas e topográficas. Avaliou a disposição dos moradores da região para o trabalho e sua possível recepção com relação a um aeroporto. Pacientemente, esperou até 1937 pelo aval da companhia para executar o projeto. Oportunidade em que pode, enfim, enviar um grupo de engenheiros não aeronáuticos para Barreiras, cidade localizada no oeste do Estado da Bahia a aproximados 960km de Salvador, com o intuito de encontrar o campo de aterrissagem ideal.
A escolha do local não foi das mais fáceis. Foi necessária uma minuciosa expedição para limpar terreno e abrir caminho para os homens da PAN AM. O local escolhido ficava a aproximados 5 quilômetros dos limites da cidade. Rodeado por florestas, escondia surpresas até então desconhecidas para os americanos. Com os trabalhos quase encerrados, restava a realização de um vôo experimental para demarcar o local e liberar a construção. Todavia, um erro da equipe de engenheiros, por pouco não se transformou em tragédia. Durante o vôo percebeu-se a existência de um planalto elevado cerca de 300 metros da borda do local escolhido. Não fosse uma manobra arrojada do piloto, o trabalho de vários anos de Blotner teria sucumbido com o acidente. A aterrissagem forçada acarretou em mudança nos planos. Um novo local precisava ser encontrado.
Quis o destino que a procura não se estendesse. Uma nova expedição levou os engenheiros da PAN AM ao mesmo local que quase provocara o acidente. Estupefatos, constataram que a região precisaria de apenas alguns ajustes de terraplanagem para sua utilização. Após a construção de uma estrada para alcançar a nova descoberta, a empresa contratou cerca de 380 pessoas que moravam nas redondezas para edificação de hangares e limpeza dos cerca de 1.800 metros que mais tarde serviriam como pista de pouso e decolagem.
A carga horária de trabalho variava entre 3 e 5 h diárias, e as centenas de pessoas imbuídas na construção do aeroporto foram acometidas por diversas enfermidades, dentre elas a malária. A falta de um local apropriado para o gasto dos salários, fez com que a PAN AM trouxesse roupas, isopores, mosquiteiros e estruturasse minimamente o local para garantir a conclusão da obra e a permanência dos nativos barreirenses trabalhando. F. M. Blotner, principal responsável pelo achado, não escondeu sua felicidade quando da conclusão da obra. “Esta pista de aterrissagem é a melhor do Hemisfério Oeste”. Como se não bastasse, e mesmo que não pretendesse soar profético afirmava que o Aeroporto que ajudara a conceber era uma excelente base potencial para os aviões do exército americano.






