9 de fev. de 2010

Sala oito, lembranças

                                                                                                       Foto: Thiara Reges
Pouco antes do "grande" momento, junto do Me. Marden Lucena

Quis o destino que fosse assim. Em 08 de fevereiro. O primeiro e o último dia. Um ontem e outro há quatro anos. A coincidência das datas não me permitiu lacrimejar os olhos em vista da trajetória que se findava. Eram cinco e dez da tarde, se muito. Optei, não por capricho, pela simplicidade. Estou feliz, mais leve e com vontade de voar alto. Voar para outros desafios, para outras paragens, em busca de novas conquistas, novas histórias. Pois, sonhar como eternizado em samba e verso não custa nada. Não custa nada sonhar. Que assim seja, assim espero. A sala oito é parte da memória que farei questão de guardar no lado esquerdo do peito.

8 de fev. de 2010

When the Saints go marching in

"Não é só importante para o povo de Nova Orleans, mas para o resto do país. Isso significa muito para a comunidade por tudo que sofreu. É algo fenomenal para levantar o ânimo e dar esperança a essa comunidade". Drew Brees, líder do Saints, prevendo o impacto da conquista, antes do jogo.
A primeira vez que assisti uma partida de futebol Americano foi nos áureos tempos que a Bandeirantes era o canal do esporte, no início da década de 1990. Data daqueles dias minha simpatia pelos “pele vermelha” de Washington, embora à época derrotados no super bowl (a grande final do futebol deles). Ontem, no duelo pelo 44° título da NFL (National Football League), senti-me de novo um adolescente fascinado com o esporte número um dos Estados Unidos.

Que jogo! Que espetáculo!

O Colts liderado pelo mágico Payton Manning era o favorito. O início do duelo indicava que o lançador uma vez mais comandaria seu time rumo ao triunfo. 10x0 com sobras e um quase erro estratégico dos Saints de Nova Orleans, apontavam ao final do primeiro quarto, quando o placar marcava 10x3 a favor do Colts, para uma vitória tranquila dos guerreiros de Indiana.

Nada disso.

Na volta para o segundo quarto o treinador dos Saints foi ousado. Um erro poderia ser fatal. Não foi. A soberba recuperação da posse de bola, garantiu tempo para Drew Brees (foto) trabalhar e virar o jogo. Sensacional.

Há cinco anos o furação Katrina deixou 80% da cidade de Nova Orleans debaixo d’água. A cidade precisou ser reconstruída. O estádio dos Saints, o Super Dome, virou refúgio para os desabrigados. O time teve de ser reiventado. Em tempo, foi adotado pelos moradores da cidade mais carnavalesca da América do Norte. Que me perdoem o clichê, o Saints ressurgiu das cinzas. Venceu. Fez encher de alegria os fanáticos pelo esporte “conquistador” na noite/madrugada deste domingo.

Uma vitória para encher os olhos. Um jogo para a história. Saints 31 x 17 Colts.

Saiba mais:

15 de jan. de 2010

Joyce não me devolveu a internet

Joyce era o nome da pessoa do outro lado da linha. Conversei com ela por mais de trinta minutos. Quarenta talvez. Gastei o ouvido. Fiquei com as cartilagens da orelha vermelhinhas de tanto ficar com o aparelho de telefone colado ao meu escutador direito. Tenho convicção que não voltarei a conversar com Joyce. Ouvir a voz, as frases enjoativamente decoradas, o gerundismo ou a educação fabricada. Não mais. A conversa que tivemos foi única mas infelizmente não definitiva. Joyce representava a esperança de uma solução, de uma resposta para meus suplícios. No entanto, coloquei o telefone no gancho sem ver meu problema resolvido e passados quarenta e oito horas, sinto que poderia ter sido mais insistente com ela. Exigir um posicionamento, ou mesmo uma mandinga que fizesse ressuscitar meu nauseabundo modem.
Resumo da ópera: Joyce não me devolveu a internet. Estou sem conexão. Meu modem não funciona. A moça bem que tentou. Foi paciente comigo. Eu também, diga-se. Tive de manter a linha para não esbravejar contra a pobre atendente da operadora de telefonia. Nada disso adiantou. Por ora, uno meu grito desesperado ao de outros tantos luiseduardenses que padecem sem acesso a grande rede de computadores. Digo: falta-nos qualidade, infraestrutura de ponta. Banda larga, como preferirem. Aquela conexão, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) com velocidade superior a 64 kbps. Pois, abaixo disso a conexão é considerada de banda estreita ou discada. Leonardo Spinelli, em artigo publicado pelo Jornal do Commercio de Pernambuco em 27 de dezembro último, diz que “o indicador da Anatel pode ser considerado antiquado” se comparado com outros índices aceitos mundo afora. Uma balbúrdia. Penso na Joyce. Penso no Ministério das Comunicações (Minicom).

Pois o Minicom, por intermédio do Plano Nacional para Banda Larga (PNBL) quer dar uma definição para o serviço, o que segundo o texto de Spinelli, hoje não é consenso. “A ideia é tentar abrir seu significado para que ele não fique preso ao conceito de velocidade e traga, por inércia, a experiência do usuário como foco definidor”, confere o artigo. Adiante e de acordo com o PNBL, as definições disponíveis atualmente sempre são expressas em termos de capacidade de acesso, na medida de bits por segundo, e não chegam a um consenso. Olha a palavrinha mágica de novo. Liguei para minha operadora atrás de um consenso sobre a inoperância do meu modem, e agora, descubro que o conceito de “banda larga” no país padece de um consenso. O documento diz o seguinte, a título de exemplificação: "Isso pode ser explicado pela dificuldade de se estabelecer padrões de tráfego que espelhem a diversidade de expectativas, comportamentos e padrões de uso dos consumidores finais pelo explosivo crescimento do tráfego, o qual torna obsoleta qualquer definição que se baseie apenas na largura de banda do acesso à internet".

Portanto, para o Minicom, a melhor definição para o serviço seria "um acesso com escoamento de tráfego que permita aos consumidores finais, individuais ou corporativos, fixos ou móveis, usufruírem, com qualidade, de uma cesta de serviços e aplicações baseadas em voz, dados e vídeo". Bingo. Pensei em Joyce novamente. Em ligar para ela e contar a novidade. Talvez assim, cheguemos a um consenso. Talvez eu deva contar a boa nova para meu modem rubro-negro. Se ele entender pode me colocar novamente no mundo virtal. Opa, meu celular está tocando.

- Alô, pois não.

- Senhor Anton, recebemos uma reclamação que o senhor não está conseguindo conectar a internet. O problema persiste?

- Sim meu caro. Continuo as escuras com minha conexão.

- Senhor Anton, eu vou estar passando o problema para...

Desisto.

Como era mesmo a voz de Joyce? Há quanto tempo mesmo estou sem internet? Em blog de colega jornalista aqui dos gerais está escrito que “dados divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) apontam que 2.772 municípios brasileiros possuem estrutura para a instalação de internet banda larga”. No final da nota e perfeitamente colocado: “vamos ver se com essa notícia, Luís Eduardo, que está praticamente ilhado em termos de internet, ganhe logo a sua banda larga”. Coloque meu nome nos reclamantes colega.

Joyce, perdão querida, mas cansei de esperar.

30 de dez. de 2009

Contrastes de véspera





Amanhã é o último dia de 2009 e este o derradeiro post do ano. Estou a horas arquitetando algo sensato para escrever, sem soar repetitivo ou mesmo prolixo. Está difícil, me falta o principal: inspiração. Porém, vale como tentativa.

Aqueles com quem mantenho um relacionamento mais próximo, bem sabem que passei a maior parte do segundo semestre concentrado em escrever minha monografia de conclusão de curso, curiosamente tendo nos blogs e seu universo a temática central. Como diria o amigo e jornalista João Anschau, “pari a bigorna”.

No entanto, a verdade é uma só: dediquei meses à construção de um texto que representasse uma fatia da relação dos blogs e dos jornalistas que, em contrapartida, praticamente abandonei meu próprio blog. Fui um blogueiro relapso. Esguio. Consegui a nota máxima com as cento e cinco páginas do meu trabalho e agora sinto que preciso voltar a blogar. Não já, no ano que se encerra, mas no próximo.

Bati na tecla da perda da motivação como causa do desaparecimento de centenas de blogs e agora tenho a impressão de ter sido fisgado pelo meu próprio veneno. Na certa, não posso permanecer conivente a isso. Vou aproveitar o momento mais do mesmo de todo fim de ano e planejar algumas mudanças para 2010. Entre elas, no blog. As demais são – ou serão – conseqüência. 

Por fim, meus últimos textos para o portal LEMBahia e para o Jornal Classe A. No mais, abraço de urso e até o novo ano.






13 de nov. de 2009

Blogueirando

Meus dias, melhor noites, tem sido exclusivos à conclusão de minha monografia. Por esta razão, o blog anda esquecido. Lamento. Gostaria de estar mais presente, ter tempo para atualiza-lo. Ideias não faltam, aglomeram-se, acumulam-se e se tornam uma grande nuvem.

No entanto, a boa notícia é que consegui, passados meses de sumiço, atualizar minha coluna para o portal LEMBahia.com aqui de Luís Eduardo Magalhães. Ah, se tivesse mais tempo. Abaixo, o link do texto, para saciar a sede daqueles que volta e meia, visitam o Impressões. Em breve, novidades:

3 de nov. de 2009

Suco de caju

Estava cansado. Passara horas em claro, divagando comigo mesmo dentro de um ônibus. Limitado ao meu próprio silêncio. Os demais passageiros daquela viagem precisavam descansar. Tinha uma missão àquela sexta-feira em Brasília. Outros dependiam do meu sucesso. Um fracasso seria imperdoável. Sem dormir, atravessei a manhã munido de uma generosa xícara de café com leite. Antecipei meu almoço em vista do tempo escasso, e assim mesmo, entorpecido de um estafe mental e corporal, parti para meus compromissos.

Um mundo se passava a minha volta. Acompanhava com comedido interesse a correria das pessoas a e o tráfego intenso dos veículos. Como a vida é interessante, pensei, em certa altura de minha jornada vespertina. Esbocei um sorriso antes de sentar e aguardar minha vez para encaminhamento do passaporte. Enfim, sossego, paz, e alguns minutos de tranqüilidade. Preferi me concentrar no outro compromisso: a entrevista. Remoer-me pelas incertezas da minha vida particular era um ultraje. Aguardei minha vez, e de lá, sai incrédulo com tamanha facilidade.

Na caderneta mental de compromissos para aquele 18 de abril, acabara de riscar um deles. Passaporte, ok. Passei os olhos no relógio e percebi que tinha tempo a favor. Optei por uma caminhada. A sensação de quentura era imensa. Comprei água. E continuei a caminhar, pensando na pauta, na entrevista e nos seus resultados. Encontrei meu destino antes do esperado, tive tempo para me refrescar á sombra de uma velha e imensa árvore. Do momento que resolvi bater a porta da minha entrevistada até a despedida, foram duas horas e meia. Tempo suficiente para inúmeras lições.

A mulher que me recebeu na sua sala de estar tinha 90 anos. Um largo sorriso foi seu cartão de visitas. A voz grave e implacável contrastava com a baixa estatura. Fragilidade? Nem pensar. Aracy foi voluntária da Força Expedicionária Brasileira durante a 2ª Guerra Mundial. Passou oito meses na Itália, enfrentou o mundo por uma causa. Um ideal, fomentado no berço da família e enquanto cursou Ciências Econômicas na década de 1930. A mulher de cabeços grisalhos a minha frente, descendia do patrono da infantaria brasileira durante a Guerra do Paraguai, Antônio de Sampaio.

Um exemplo. Enquanto ouvia seu relato percebi que havia brilho naqueles olhos. Orgulhoso por ter feito parte de uma história fascinante da humanidade, ter contribuído para o bem estar de muitos. A vontade de enfrentar o mundo sem se abster de ter lutado pelo que acreditava e principalmente pelo país que amava. Senti-me brasileiro. E enquanto sentia os pelos de meu braço ouriçarem-se tive um sobressalto de consciência. Um lapso de vergonha de um país mal governado e miserável politicamente. Que não tem educação e não preserva sua história, sua cultura, sua essência.

Acompanhei aquela senhora numa viagem no tempo. Entre fotografias e prêmios. Lembranças. Não mais que isso. Pensei se possuía lembranças dignas de contar para meus netos. Pensei no que sou e no que tenho feito. “Eu faria tudo de novo”, disse ela, enquanto me servia um copo de suco de caju e um pedaço de torta de nozes. E eu, será que faria tudo de novo? Voltei a correria do mundo moderno. Das grandes cidades. Não se tem mais tempo pra nada, e no fundo, nada se faz. Será que existe felicidade hoje em dia? Ah, como eu queria outro copo de suco de caju.

Audiência envelhecida

No domingo, 1° de novembro, assisti o show do vocalista Tim Ripper Owens em Brasília. O cantor ganhou fama após substituir o lendário Rob Halford no Judas Priest, entre 1997 e 2002, período em que gravou dois álbuns de estúdio com o grupo e outros dois “ao vivo”, um deles com versão em DVD e altamente recomendado (Live in London).

No show realizado na capital federal, Ripper apresentou um repertório recheado de clássicos do conjunto britânico e outras releituras de canções de bandas como Iron Maiden, Deep Purple, Yngwie Malmsteen e Black Sabbath. Acompanhado pelos músicos da banda paulistana Tempestt, Ripper fez um show correto, provando ser um dos grandes vocalistas do estilo em atividade.

No entanto, foi a platéia que mais chamou atenção. Apesar do público reduzido, não mais que 250 pessoas, e do fato do transporte público em Brasília ser caótico, a constatação é inevitável: o público metal está ficando velho.

Nos anos 70, o rock pesado era novidade, os músicos jovens rebeldes e drogados, logo, sua audiência também. Nos, 80, embora mais amadurecidos, o estilo criado na década passada ganhou forma e ramificações. O estilo cresceu, e logo absorveu ainda mais público. Na década de 90, mesmo com o grunge de Kurt Cobain quase aniquilando o estilo, a situação pouco mudou.

Agora, em pleno século XXI, não se vende mais discos, a digitalização oferece quase em tempo real, os shows e as músicas dos artistas do gênero (e de todos outros, claro). A novidade inexiste. Os fãs envelheceram. Os músicos das grandes bandas são cinquentões. A molecada sumiu dos shows de metal, a pergunta que me assombrou na adolescência parece que aos poucos vai ganhando uma resposta e, sim, o heavy metal pode sim acabar.