11 de nov. de 2008

Um ato contra o sexo sem compromisso


Damas e cavalheiros faz um tempinho que matuto sobre sexo. Sua importância e afins. Tendo sempre em mente essa cultura de consumo que nos move. Confesso nunca ter escrito nada sobre o tema, justamente para evitar retaliações, uma vez que meu posicionamento é totalmente radical com relação ao tema.

Porém, numa bela manhã de ócio, navegava eu pelas entranhas da senhorita Neti quando, enfim, encontrei alguém com pensamentos semelhantes aos meus. Não resisti a tentação de dividir os argumentos do autor do texto em questão com todos que volta e meia visitam este blog.

Antes da linkagem propriamente dita, algumas passagens do texto Sexo? To fora, escrito pelo Marcus Gabriel para a coluna Pensamentos Delfianos do DELFOS.

“Agora, seja sincero: todas as pessoas que fazem sexo estão prontas para sustentar, criar e guiar EQUILIBRADAMENTE uma nova vida humana? A resposta a essa pergunta já excluí todos os adolescentes, pré-adolescentes e jovens adultos do planeta. Esse grupo em especial, que mal saiu das suas próprias fraldas, não tem a capacidade e/ou responsabilidade para cuidar de outra vida”

E essa:

“Apesar de tantas conseqüências nefastas e funestas, o mundo continua a defender uma vida sexual “livre”. Por quê? O espírito do Carpe Diem chega até nós de duas maneiras principais: meio social e propaganda. Meio social é um pouco óbvio. As pessoas com quem nos relacionamos pensam assim e nós não questionamos, nós queremos nos sentir parte de algum grupo, nós queremos identidade social e ser aceitos, então acabamos repetindo uma baboseira como se fosse verdade. Somos CONDICIONADOS a acreditar que não terá nenhuma conseqüência esse estilo de vida.”.

Palmas pro Marcus. Abaixo o link para leitura na íntegra do referido texto.

Divirtam-se.


6 de nov. de 2008

A resposta que soprava no vento


Fiquei surpreso com a rapidez da divulgação da vitória de Obama nos EUA. Nas eleições passadas à disputa entre Bush e Gore se estendeu por vários dias. Algumas línguas insistem, ainda hoje, em apostar em fraude naquele pleito.

Por Zeus, acreditei que McCain seria eleito novo presidente dos EUA amparado justamente pela possibilidade de uma nova fraude, mesmo que a anterior não passe de uma suposição sem fundamento.

Na manhã de ontem, um amigo não disfarçava o sorriso de euforia pela vitória de Obama. Segundo ele haverá uma ruptura de paradigmas muito grande não só no país do Tio Sam bem como no resto do mundo. O país que pariu a Ku Klux Kan elegeu um presidente negro e descendente de africanos. Pergunta-se: A quem interessaria eleger um homem com esse perfil para governar um país como os EUA?

Bush tornou-se o inimigo número um de praticamente todo planeta. Quando visitou o Brasil foi preciso redobrar a segurança para evitar contato direto com as manifestações contrárias à maneira Bush de governar. E aí cabe ressalvar os erros cometidos na invasão e posterior guerra contra o Iraque e a maneira incisiva com que o estadista lidou com a situação.

A quebradeira econômica das últimas semanas parece apenas ter servido como estopim para a mudança anunciada. Alias, não só anunciada como propagada na campanha de Obama. E nesse ponto parece claro que a eleição de McCain seria praticamente uma continuidade do governo Bush. A opção por Obama demonstra insatisfação. O mundo convergia para eleger Obama.

Ele tornara-se um ícone, um pop star. Uma alternativa para dar um basta a saturação dos ideais de Bush e iniciada ainda nos tempo de Reagan na década de 1980. Se vai melhorar ou não a mudança de feição e estilo no comando do EUA, somente o tempo a de dizer. De certo no momento somente a canção de Dylan: a resposta meu amigo está soprando no vento.

Quanto mais melhor


Tornara-se regra. Sexta-feira chovesse ou não, o destino era um só: assistir o show dos guris. Já fazia um tempo que aquelas noitadas, não eram somente movidas pelo show. Haviam se tornado uma verdadeira celebração. A casa estava sempre cheia, era uma disputa acirrada pela preferência do garçom e por um lugar na fila do banheiro.

A pressão sobre os guris era grande, afinal, como tocavam todo fim de semana, precisavam variar o repertório, o que nunca foi tarefa fácil. A velha historinha de agradar a gregos e troianos. Todavia, aquela sexta-feira foi especial. O semblante dos músicos estava sério e compenetrado. Os indícios apontavam para um show como todos que eles vinham fazendo nos últimos meses. Não havia reclamações. Alias, seria um desfrute de quem reclamasse, uma vez que não havia outras opções. Ou era o show dos guris, ou Globo Repórter.

Música após música a noite corria. As celebrações de sexta-feira eram divididas em duas partes. Quase no fim da primeira, um homem moreno e corpulento se aproximou do guitarrista e disse: Posso tocar uma música com vocês? Sem entender direito, o guitarrista fez sinal de positivo, crendo que aquele não passava de mais um propenso músico aquela altura do campeonato com mais álcool no sangue que toda fábrica da Pirassununga.

Não demorou e o cara voltou com seu instrumento. A atenção dos músicos se voltou para ele. O que tinha dentro daquela caixa? Triunfante, o corpulento rapaz tirou um trompete de dentro dela, brilhante e dourado. No intervalo entre uma música e outra, os guris, boquiabertos trocaram algumas palavras com o moreno trompetista. A impressão era uma: será que esse cara sabe mesmo tocar esse trompete.

Logo na primeira música, era impossível não perceber a sensação de prazer no rosto dos guris. As pessoas que até bem pouco estavam mais interessadas em beber, foram fisgadas pelo que acontecia no palco improvisado. Foi um massacre, uma ode a boa música, tendo naquele trompetista desconhecido seu toque de mágica, a cereja do bolo. Uma noite inesquecível feita na base do quanto mais, melhor. Anos se passaram, e os guris lembram daquele show com carinho especial. A adição de um instrumentista trouxe qualidade a apresentação.

Uma das lições que trago da infância faz jus exatamente a isso. A qualidade em detrimento da quantidade. Em tempos que se tem de tudo a toda hora e lugar, um pouco de cuidado em relação a qualidade é indispensável.

Entre o final de março e meados de maio, a imprensa nacional adotou Isabela como queridinha do Brasil. Não se fez matéria sobre outra coisa nos grandes centros. O mesmo aconteceu no seqüestro de Santo André. A poeira aos poucos parece estar baixando. Em contra partida, 2008 viu nascer novos jornalecos na cidade. Outros ressurgiram das cinzas no pós eleição. Conteúdo parco e visivelmente interesseiro.

Um assombro. Uma propagação de informação que assusta. Ajam olhos para ler tanta coisa. O pior está justamente na qualidade. Não existe. As raras exceções mantêm-se sob os trilhos torcendo para que os pára-quedistas não atrapalhem sua jornada. Pois aqui, se agradece de joelhos aqueles que governam e se publicam jornais na mesma proporção que se vai ao banheiro depois de um desarranjo estomacal. Quanto mais...melhor

5 de nov. de 2008

Nada além de uma grande ilusão


O raio caiu no mesmo lugar pela segunda vez. E parece que foi atraído, chamado. Pode cair, vá, caia de uma vez. Desde a Batalha dos Aflitos o torcedor gremista transformou-se num ser muitíssimo mal acostumado. Transpôs a barreira do “crer em milagres” para viver numa redoma onde o “viver a custa de milagres” é a regra determinante.

A perda do título brasileiro é a prova. O tricolor foi líder por 17 rodadas. Fez campanha no primeiro turno com direito a vitórias homéricas e consagradoras: 7x1 no Figueirense em Santa Catarina, 3x0 no Goiás em Goiânia, 4x1 no Atlético/MG em Belo Horizonte. Dava gosto de ver. O time que começou o certame pensando em não cair, acumulava pontos e enchia de orgulho seu apaixonado torcedor.

Porém a casa caiu. A farsa foi revelada. Não tínhamos time para ser campeão. Bom, até tínhamos, mas sem Eduardo Costa e Roger a qualidade aos poucos foi pro brejo. Os operários da Azenha deram sinais claros que não passam de operários e não há nada que faça a diferença em favor do time para a conquista do tão sonhado tri campeonato.

O porém é que o torcedor gremista vive de ilusões. Desde os Aflitos em 2008. Uma ilusão atrás da outra. O título do gaúchão de 2006 ante o – então – fortíssimo time colorado e a virada histórica contra o Caxias no Gauchão 2007, deram a torcida um “Q” de fanatismo religioso. A Libertadores do mesmo ano está aí para comprovar.

Nenhum gremista duvidava que o time reverteria o placar adverso de 3x0 no Olímpico frente o Boca de Riquelme e Palermo. Até profecias de Nostradamus alguns utilizaram para elucidar que o Grêmio iria vencer. Nada disso aconteceu. E a história todos conhecem. Fingiram esquecer. Sim, fingiram, pois ela está de volta. O time medíocre do Grêmio viveu uma doce ilusão de conquistar o título brasileiro. A torcida chorominga. Claro, mas é preciso ter os pés no chão. Afinal, fomos longe demais pelas peças que tínhamos. A ilusão acabou.

PS: Ainda com a tal “ilusão” reverberando no meu peito, espero morder a língua pelo que disse nesse texto ao final do campeonato, muito embora, ache que o Grêmio vá terminar a contenda em quinto e o São Paulo será tri. INFELIZMENTE.

3 de nov. de 2008

O pequeno vendedor de trufas

Trabalho infantil é crime. Certo. Até aqui nenhuma novidade. Deveria ser combatido e fiscalizado para que as crianças pudessem viver os anos da infância de forma plena e como se deve: brincando e estudando. Entretanto a realidade do Brasil é outra e falar dela é ainda mais clichê que a primeira afirmação deste texto. A tão sonhada mudança não virá pelo grito solitário ou por motivações isoladas de visionários país a fora. Pelo contrário. Este é um dos raros casos onde apoio efusivamente a conscientização coletiva para resolução e – por que não – erradicação do problema.

A questão que me intriga é: existe uma idade ideal para se começar a trabalhar? O governo federal investe em programas que incentivam empresas a contratarem jovens sem experiência profissional. Muitas vezes o primeiro emprego se torna carro chefe de campanhas e discursos políticos. Alguns jovens chegam a maioridade sem nenhuma experiência de mercado, enquanto crianças trabalham exaustivamente e na esmagadora maioria das vezes longe das salas de aula. A de se mencionar: existem casos e casos.

Não são poucas as histórias de pessoas que desde cedo labutam para auxiliar no orçamento familiar e conseguem independência muito antes do esperado, ou do tido como normal no tal círculo social. Claro, que isso não serve de consolo para o cidadão que nasceu no meio da seca e teve pouco ou nenhum acesso à educação e a oportunidades mínimas para que vislumbrasse um futuro mais digno. Outro fator é que migrar para as grandes metrópoles nos dias de hoje para tentar a sorte é diferente de vinte ou trinta anos atrás. Há uma escassez de oportunidades e isso é inegável.

No meu caso particular comecei a trabalhar depois dos 18 anos. Não cabe julgar se fora o momento certo ou não. Como disse anteriormente existem casos e casos. Se tivesse começado a procura por um emprego uns dois anos antes talvez os rumo de minha vida tivesse sido outro. Não tive necessidade familiar de ir em busca de trabalho antes da maioridade. Este é o fato.

Conheço um garotinho de 11 anos que dia após dia sai às ruas para vender trufas. Virei consumidor das trufas que ele vende, também, um admirador do esforço do moleque. Passa longe de ser o ideal um menino nessa idade gastar seu tempo debaixo de um sol escaldante vendendo chocolate, mas pelas conversas que tive com ele, certamente esse mesmo garotinho que hoje vende trufas será um cidadão muito mais consciente do valor simbólico existente no trabalho e na vida social. Que ele consiga intercalar estudo e trabalho pois haverá de galgar um futuro brilhante. Por ora, agradeço pelas trufas e pelos momentos de conversa que temos diariamente.
Saiba mais:

2 de nov. de 2008

Um nome forte

Tomei uma decisão. Conclui que quero uma mulher que tenha um nome forte. Sim, pois existem nomes femininos que são fortes, outros que são fracos e outros que são normais. Alguns até demais. O gostoso é ouvir o nome da guria e sentir um frio na espinha.

- Qual seu nome?

- Eloá.

Nome forte. Curto e grosso. Quem ouve um nome como esse nunca esquece. Por outro lado, alguns nomes são diminuídos propositalmente e se tornam um mais do mesmo medonho. Danis, Patis e Gabis por exemplo. Todo o homem já teve uma dessas.

O nome tem que ter estilo. Ser arrebatador. Fazer desabrochar nos machos os desejos proibidos. Diminutivos não servem. Todas parecem baixinhas quando atendem pelo diminutivo. Sandrinhas. Aninhas. Paulinhas. A verdade é que tem que ser “o nome”. Daqueles que tu olha nos olhos da mina e pensa: combinação perfeita.

Roberta. Esse é um nome de respeito. Um nome que inspira desejos proibidos. Imagine a Roberta no auge dos seus metro e oitenta adentrando aquelas quadras de futebol de sabão. Agora visualize a Roberta vestida num minúsculo shortinho jeans e uma camiseta branca da “éringui”.

Agora pense na Roberta com vinte minutos de partida. A camiseta molhada e a Roberta toda melecada de sabão. Não disse que isso sim é um nome de respeito. Forte. Capaz de provocar uma parada cardíaca nos propensos a esse mal. Cuidado. Um dia Eloá e Roberta podem jogar no mesmo time.

1 de nov. de 2008

O que diz minha preferida


Não tenho razão especial para considerar esta uma de minhas fotos preferidas. Apenas sinto um apreço especial por ela. A propósito, é esta imagem o pano de fundo do meu notebook. Fiz esta foto com uma câmera digital simples, sem muitos recursos. Não usei flash e como de praxe, preferi fotografar em pretro e branco.

- Isto parece um cativeiro! Foi o que me disseram certa vez. Sinceramente, não vejo por este lado, embora a associação faça sentido. Ela me lembra muito mais a alegoria da caverna de Platão que um cativeiro. Na pior das hipóteses, ver a luz ao final do corredor e mesmo assim não ter condições de se postar em pé para seguir em frente.

Ver o mundo te sufocando e não ter ninguém para lhe estender a mão. Não ter forças para levantar, nem voz para gritar por ajuda. Ter consciência que é possível recomeçar a partir da janela escancarada a sua frente, mas mesmo assim, sentir-se incapaz de sair do lugar comum.

No fundo, essa imagem me diz que é possível. Sempre. O Grêmio tem o pior time dos cinco primeiros colocados do Brasileirão mas ainda assim pode sagrar-se campeão. A crise mundial por mais avassaladora que seja pode trazer esperança de renovação e de melhorias para todos. O aquecimento global é irreversível, mas ainda assim, é preciso ter esperanças e noção que uma atitude coletiva pode, no mínimo, estancar esse avanço e garantir um tempo precioso de vida às futuras gerações.

Em suma, é preciso ter fé.