
A ideia de um mundo unificado, que extinga as regionalidades e encare as realidades particulares como parte de um conceito global viraram pauta nas escolas em dado período. Alias, a primeira vez que ouvi falar nela foi na escola. Os professores pareciam programados a disseminar o conceito, ou o que mal compreendiam por ele, para os alunos. E assim o mundo partia para se tornar “um”. Independente das realidades locais espalhadas pelo globo.
Com os avanços da ciência cada vez mais presentes na rotina do ser humano, os velhos princípios foram se diluindo. A figura paterna, que décadas atrás era tida quase como uma divindade no seio familiar, perdeu espaço para a avalanche de vagos conceitos apresentados pela máquina midíatica. O certo se tornou duvidoso, e a sociedade, incapaz de canalizar tanta informação em pouco tempo, viu-se perdida em um labirinto de ilusões.
E assim, o ser humano caminha para apagar sua própria história. Esta tende a se tornar mito, e a ser encarada como tal pelas novas (e futuras) gerações. Tornou-se mais decora do que conhecimento.
As ideias impostas inconscientemente pelas grandes corporações midíaticas derrubam valores, crenças e verdades estigmatizadas por anos e anos. Neste contexto: precocemente o ser humano amadurece e precocemente ele se esquece.
Todavia, essa nova realidade parece flutuar em um universo de inseguranças. O caminho trilhado para que chegássemos ao que somos hoje, não preparou os homens para que compreendessem esse novo mundo. Sem rumo, sem direção, sem apoio, uma vez que o individualismo se tornou parte presente de suas vidas, o homem sucumbiu. O que é ofertado pela mídia é chulo e distante das realidades locais. Aprisionado em um casulo de ilusões o homem apela para os entorpecentes. De todos os tipos, dos ilícitos aos lícitos e vice-versa. Parece querer fugir, e ao mesmo tempo quer se envolver mais e mais com esse novo mundo virtual-global. Uma ilusão unindo-se com outra ainda maior e mais degradante.
Assim sendo, pergunta-se: Para onde ir? Que rumo tomar? O que fazer?
Descartes, o pai do racionalismo, se visse o rumo que o homem tomou nos últimos dois séculos talvez veria com incredulidade o despreparo do homem em ponderar a razão e a emoção no século XXI. A doentia necessidade de auto afirmação para seguir em frente. O mundo todo compartilha dos mesmos preceitos. Quem está preparado prospera, os despreparados se tornam obsoletos, da mesma forma que os avanços tecnológicos colocam o que era padrão ontem e anteontem em desuso e ostracismo.
Nesta ambiência de mundo globalizado e disseminação midíatica, o homem confronta-se com uma incerteza ainda mais preocupante. O que o futuro lhe reserva? Que mundo teremos daqui uma ou duas décadas?

Suposições, previsões, ilusões, incertezas...Eis o que temos por agora. Amanhã ou depois? Um. Somente um. Individual e desprovido de sentimento. Que Deus salve a razão.
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O texto acima foi escrito no primeiro semestre de 2007.
3 comentários:
Belo texto...
A construção da narrativa está espetacular.
Paraéns!
Hoje pela manhã li uma entrevista que é bem útil a esse texto. Globalização, se for como extermínio e não disseminação de culturas, faz mal, muito mal.
O link da entrevista é esse: http://revistatrip.uol.com.br/173/especial_diversidade/wade/home.htm
abraço,
Tiago Medina
Individualismo não tem culpa dos problemas do mundo e o Aldous Huxley, no livro admirável mundo novo, detonou, de forma irônica e debochada, a praga do socialismo. A tua conclusão está errada ao meu ver.
O extermínio dos fracos é a ordem natural das coisas, sempre foi.
Não concordo com o teu texto.
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